Viajantes Especiais – Crianças

– Para onde viajar com as crianças?      

O planejamento da viagem deve ser bem mais cuidadoso quando há crianças. É importante escolher um destino que tenha atrações para que elas também aproveitem a viagem e não fiquem entediadas (o que pode acabar com as suas férias). Você não precisa obrigatoriamente ir para os lugares mais óbvios, feitos sob medida para os pequenos, como os parques da Disney ou o Beto Carrero World, em Santa Catarina. Mas não saia de casa sem pesquisar os programas que podem agradá-las. Exemplos? Os museus de ciências interativos sempre fazem grande sucesso. Os pimpolhos podem apertar botões à vontade, brincar com experimentos e ainda aprendem. Várias cidades possuem museus desse tipo: Paris, Toronto, Munique, San Francisco e até Águas de Lindóia, no interior paulista. Também locais com bichos, como hotéis-fazenda, agradam aos pequenos. Veja o que combina com cada faixa etária:

0 a 1 ano Nessa idade, é importante garantir a rotina do bebê. Horários regulares de mamadas, banho, sono, colo e solzinho ajudarão o pequeno a aproveitar a viagem. Não se esqueça de levar o cobertor e o travesseiro, o bichinho de pelúcia que só falta falar – sim, eles têm objetos pessoais que os fazem sentir em casa nos hotéis. O ideal são as viagens mais folgadas, para lugares silenciosos e com natureza: bebês costumam relaxar a partir do segundo ou terceiro dia fora de casa.
2 a 3 anos Nessa idade, eles recém-tiraram a primeira “carteira de motorista” – já estão craques na arte de… andar. Sua autonomia cresce e o impulso de explorar seus talentos motores é incontrolável. Atividade física é tudo e eles só desligam quando a pilha acaba. Quer dizer, o ideal são lugares espaçosos para eles correrem à vontade, mas de preferência, que tenham uma babá de plantão para ficar de olho. Aqui começa também o interesse pelos bichos.
4 a 6 anos As outras crianças passam a fazer parte mais consistentemente do mundo dos seus filhos. As brincadeiras coletivas ganham força, dando novo peso às habilidades motoras, cada vez mais sofisticadas. Resorts e navios com clubes infantis são ótimas pedidas. Os zoológicos estão no auge e os parques de diversões começam a valer a pena.
6 a 8 anos As crianças estão crescendo: o interesse pelo mundo ao redor cresce junto, e os caras apresentam uma sede de conhecimento impressionante. Os programas culturais começam a interessar também a eles – mas vá com calma. O companheirismo é tudo nessa fase: hora de buscar atividades e lugares para serem compartilhados de verdade por pais e filhos. Aqui também é uma boa os hotéis com monitores.
8 a 12 anos Os caras estão quase naquela idade em que já não querem mais viajar só com os pais. Os amigos começam a fazer falta. É hora de envolvê-los na decisão sobre o que fazer nas férias. O segredo são os destinos que tirem o quase-adolescente (sim!) do lugar-comum. Viagens para outros países, roteiros de aventura, cidades com programas culturais ou parques legais e lugares em que eles possam fazer amigos costumam quebrar a inércia.

– Há hospedagens indicadas para crianças?

Um hotel preparado para receber pequenos é melhor do que outro qualquer – da programação que ele oferece às condições de segurança (janelas que não abrem, por exemplo). Assim, se uma pousada disser “não aceitamos crianças”, não insista. Crianças, antes de mais nada, gostam de outras crianças. E de espaços para correr, pular, brincar. Hotéis antigões, do tipo estação de águas, têm grandes quartos que acomodam bem a todos. Os mais modernos muitas vezes exigem que se peça um quarto conjugado – mais caro, e também mais confortável. Nos Estados Unidos e no Caribe, são comuns os resorts que oferecem estada e alimentação grátis para os pequenos no quarto dos grandes. Lembrete econômico: não esqueça de abastecer o frigobar de coisas gostosas compradas fora do hotel.

– Que cuidados tomar com a alimentação das crianças?

Na medida do possível, a alimentação dos pequenos deve se manter igual à habitual – seja no tipo de alimentos, seja no horário das refeições. Mas, como viajar é provar, inclusive novos sabores, tente dar o melhor dos dois mundos – um pouco de escargot e um pouco de batatas fritas. Eles estão em férias, não estão? A única recomendação é com a preparação da comida. Em lugares quentes é melhor abolir a maionese. E, antes de dar um peixe, camarão ou outro pescado a seu filho, veja as condições em que ele foi preparado. Massas podem não aumentar a cultura gastronômica dos pequenos, mas são uma ótima saída para o “não quero, não gosto”. Deixe a educação para a volta, ok? Se o seu filho ainda for um bebê que só come papinha, pergunte para o hotel antes de embarcar se ele faz sopinhas especiais. Você pode se livrar de um peso se desencanar de reservar uma mala só para os potinhos industrializados, achando que isso vai facilitar sua vida.

– É correto estabelecer uma mesada às crianças para viagens?

Antes de viajar, estabeleça um valor que a criança poderá gastar – isso ajuda muito. E mantenha a combinação se não quiser perder a autoridade em uma próxima vez. Lembre-se: embora os pequenos também tenham direito a 500 dólares em compras em viagens ao exterior, esse valor não é cumulativo com o seu. Não adianta, por exemplo, comprar uma câmera de 1000 dólares e querer somar aqui e ali. Não pode.

– O que fazer se a criança se perder?

Em grandes áreas públicas, por exemplo, desencontros podem acontecer – e acontecem. Para começo de conversa, coloque um cartão do hotel no bolso de seu filho (prender o nome em um crachá não é ridículo!). Sempre combine um ponto de encontro de fácil localização e instrua-o a pedir ajuda às pessoas uniformizadas para o levarem até lá (seguranças). Walkie-talkies, com os maiorzinhos, são uma ótima pedida.

– O que levar na mala dos pequenos?

Crianças sujam pelo menos duas mudas de roupa por dia – se o roteiro não incluir lama! Tenha isso em mente quando preparar as malas. Se não quiser enfrentar lavanderias, o ideal é fazer a conta para sobrar pelo menos quatro mudas limpas. Para as crianças, dois pares de tênis é o mínimo – elas atraem poças. Nos parques, vista-as da mesma cor, de preferência berrante. Não deixe faltar bonés, meias extras e roupas de baixo. Chinelos são fundamentais na areia quente. Alguns itens não podem faltar na bagagem dos pequenos:

Fraldas descartáveis; Fraldas de pano para limpar a boca ; Trocador; Sabonete; Xampu; Mamadeira; Chupetas; Toalha; Brinquedos; Roupas e calçados (levar também da estação oposta); Mantas; Babadores; Câmera fotográfica; Talheres de plástico; Carrinho e/ou canguru; Chapéu e/ou gorro; Garrafa térmica; Algodão; Leite em pó e matinais; Bloqueador solar; Repelente; Protetor de tomada

– Como economizar em uma viagem com crianças?

Siga as dicas de Luís Carlos Ewald, professor de finanças da FGV-rio e autor do livro Sobrou Dinheiro – lições de economia doméstica:

1) Para começar, limite o número de filhos conforme sua renda. Assim você pode dar um bom padrão de vida, com educação condizente, e, ainda, mandá-los à Disney e, depois, para um intercâmbio.
2) Antes da viagem, poupe. Tudo depende da sua moral em mantê-los sob controle, sem caprichos, e da sua paciência em investir tempo para distraí-los – de bons programas na TV paga ao rodízio com outras famílias para que as crianças brinquem em várias casas…
3) Os pacotes de viagem são a melhor opção. E os de classe econômica. Na hora de comprar um, o melhor é quitá-lo antes de viajar. Pagar a viagem depois de desfrutá-la dói muito… Uma boa solução é “poupar” em um pacote comprado antecipadamente e viajar depois da última prestação.
4) Escolha a melhor moeda a ser levada de acordo com o momento econômico. O spread entre a compra e a venda do dólar no Brasil é sempre menor que o do euro – assim você precisa estudar o assunto antes, conforme sua projeção de gastos.
5) Controle o papai-eu-quero com uma boa educação desde pequeno. Quem manda na casa? Não tem para gastar, não tem… Se não tiverem mesada, é possível controlá-los nas lojas. Se tiverem, advirta-os que, quando ela acabar, vão dançar.
6) Nada de lembrancinhas e presentinhos… poupem para viajar novamente!
7) Para economizar em alimentação, peça o prato e divida com seus filhos; se for pouco, peça outro, um a um. Não pode sobrar por olho gordo…
8) Faça upgrades para o exterior em seu plano de saúde. Não dá para correr riscos e o custo dos planos é suportável.
9) Dependendo do número de crianças, o melhor é acomodar todo mundo no mesmo quarto.
10) Na estrada, programe as paradas para o abastecimento com as pausas para as refeições: mais paradas, mais gastos.. Leve muita água, sucos e sanduíches de casa. Acostume os pequenos a evitar refrigerantes e junk-foods.

– Como prevenir altos gastos com doenças ou acidentes no exterior?

Se o seu plano de saúde não permitir um upgrade para cobertura de viagens nacionais ou internacionais, contrate um seguro saúde antes de sair pelo mundo. Uns pontinhos no queixo podem custar mais caro do que suas passagens aéreas. Atenção para os tipos de seguro – você poderá ter um teto de cobertura. Além disso é sempre bom tomar água potável (escovar os dentes inclusive) e evitar gelo (as pedras podem ter sido feitas com água não esterilizada)- evitará a chamada “diarreia do viajante”. Precaução: uma frasqueirinha com termômetro, antitérmico, vitamina C, band-aid e aspirina são providenciais (principalmente no exterior). Precaução extra: reconhecer o território. Saber onde encontrar um hospital ou médico de plantão mais próximo é uma tranqüilidade com pequenos por perto. De que adianta um ótimo plano de saúde se não houver clínicas particulares na cidade? Sobre regiões que exigem vacinas contra a febre amarela: converse com seu pediatra e avalie se não é melhor mudar o roteiro.

– Tenha sempre a mão:

1) O bom e velho termômetro e um antitérmico adequado – um não vive sem o outro.
2) Uma pomada contra picadas de inseto.
3) Um creme hidratante com algum poder bactericida – para prevenir assaduras e combater irritações de pele.
4) Uma tesourinha para cortar unha – unha suja e picadas de inseto são uma combinação perigosa.
5) Uma colher-padrão para o soro caseiro (encontrado em postos de saúde e farmácia), essencial nos piriris comuns em viagens
6) Lencinhos umedecidos – para o bumbum dos bebês e para limpar as lambanças de picolé e afins dos maiores

– Como manter a criança tranquila durante o trajeto no avião?

Um bebê de até 2 anos no colo do acompanhante em geral paga 10 % do valor cheio da passagem. Se ocupar assento próprio, paga como uma criança de 2 a 11 anos: de 60 a 75% da passagem. Crianças desacompanhadas precisam de mais atenção e por isso as tarifas são integrais (as menores de 5 anos devem ainda pagar por um tripulante extra). E, para não transformar a viagem de avião em um inesquecível martírio, leve brinquedos, livros, lápis e papel para entreter os pequenos. Mas muitas companhias aéreas já fornecem passatempos, informe-se antes. Antes de embarcar, estimule a imaginação do seu filho – leia um livrinho sobre Santos Dumont, por exemplo. O vôo pode se tornar uma experiência muito interessante se ele estiver bem motivado.

– O que levar para as crianças comerem durante o voo?

Há de papinhas a hambúrgueres para os pequenos. Mas essas refeições especiais devem ser solicitadas na reserva dos assentos, dois dias antes da viagem. Leve de casa as mamadeiras para os bebês – você pode esquentá-las a bordo.

– Como devo transportar alimentos para bebês no avião?

Alimentos para bebês (sopas, papinha, soro etc.) devem ser transportados apenas na quantidade a ser utilizada durante o vôo, incluindo eventuais escalas, e apresentados no momento das inspeções de bagagem.

– Qual é o melhor lugar para acomodar uma criança na aeronave?

Crianças gostam de espaço e, convenhamos, não há muito na aeronave. A tendência é pedir os assentos na primeira fila – a mais espaçosa. Mas cuidado: em geral, ela tem os braços entre os assentos fixos e seu filho em algum momento vai querer deitar no seu colo. Cheque antes de reservar o assento. Se estiver viajando com um bebê de até 6 meses, solicite um berço na hora da reserva. Funciona como um moisés preso a um suporte fixo na parede, em frente à sua poltrona, na primeira fila.

– Como é feita a segurança dos pequenos em um avião?

Menores de 12 anos têm atendimento preferencial e devem ser embarcados e desembarcados antes dos outros passageiros. Faça valer o direito – é mais cômodo para eles. Crianças de até 2 anos ficam no colo na hora da decolagem e aterrissagem. Necessariamente precisam de um cinto especial que é atado ao acompanhante.

– Como deixa-los confortáveis no avião?

Assim que subir na aeronave, principalmente em vôos nacionais, cheque se há travesseiros disponíveis. E mantas – o ar do avião pode gelar os pequenos. Para lidar com a diferença de pressão na decolagem e na aterrissagem, dê a chupeta, a mamadeira com água para os bebês e um chiclete para os maiorzinhos. Antes de marcar o vôo, pergunte qual aeronave da rota tem trocador e, na hora da troca da fralda, ainda solicite a ajuda de uma comissária – o ambiente é estranho e apertado.

– Como entreter-los durante o voo?

A maioria das companhias aéreas oferece algo para os pequenos – de quebra-cabeças e bichos de pelúcia a canais de vídeo infantis. Muitos comandantes são simpáticos e permitem uma visita à cabine. Pergunte aos comissários.

– Como transportar as crianças em uma viagem de carro?

O bebê-conforto é o meio mais seguro de transportar bebês de até 9kg ou 13 kg (de acordo com a marca do equipamento). Ele deve ser instalado no banco de trás do carro e de costas para o movimento, para evitar o efeito chicote, capaz de quebrar o pescoço da criança, que ainda não é firme nesta idade. Os pequenos de 9 a 18 kg (mais ou menos de 1 a 4 anos de idade) devem se instalar na cadeirinha própria, de frente para o movimento. Ambas só estão bem presas no carro se não se movimentarem no máximo em 2 cm. Crianças de 18kg a 36kg, mais ou menos de 4 a 10 anos, devem ficar no assento de elevação ou booster e presas com o cinto de três pontas. Mais altas, ficam protegidas no ponto correto e não correm o risco de ter os ossos esmagados em caso de acidente, já que o cinto não foi concebido para o seu tamanho. O assento de elevação ou booster só pode ser liberado para os maiores de 36kg, que tenham mais de 1,45 m ou cerca de dez anos. Mas o cinto de segurança jamais deve ser desprezado. Mais informações, na ONG Criança Segura (11/3371-2384; www.criancasegura.org.br).

– É necessário autorização para viajar com crianças?

Não é mais exigida nas viagens pelo Brasil se a criança menor de 12 anos estiver acompanhada por apenas um dos pais. Ela só é necessária:
1) Nas viagens pelo Brasil em companhia de outro adulto que não os pais. Nesse caso, os pais ou o responsável legal devem comparecer ao Juizado de Menores com CIC, RG e comprovante de residência, mais o documento de identidade da criança, para tirar uma autorização judicial;
2) Nas viagens para o exterior, com apenas um dos pais. O outro deve autorizar a viagem por escrito, com discriminação do período e do destino. Para ter validade legal, a assinatura deve ser reconhecida em cartório.