Geral

Quando o navio zarpou do porto de Cartagena, depois do clássico apito que anuncia a partida, eu praticamente nem percebi, salvo o leve sacolejar mareado. Debutando em um cruzeiro, sempre imaginei que a saída fosse uma coisa meio Titanic, com todo mundo empoleirado na proa acenando tchau. Mas não – o fator “muvuca zero” é algo que perduraria por toda a semana seguinte a bordo do Monarch.

É quase impossível imaginar que um cruzeiro all inclusive pelo Caribe com mais de 2 mil pessoas a bordo possa ser relax, sem fila, sem atropelo, sem perrengue. E parece ainda mais impossível se considerarmos que dá para embarcar por R$ 1.250 por pessoa! Mas, sim, é possível. E é tudo incluído mesmo: das gorjetas às refeições e, como diferencial, bebidas também. Tudo disponível o tempo todo (ok, tem uma pausa das 4h às 7h). Refrigerante, suco, café, água, cerveja, vinho da casa, uísque, tequila – você só paga se optar por marcas premium. As excursões nos pontos de parada, essas sim, são compradas à parte, mas também sempre se pode sair para curtir os lugares por conta própria.

O Monarch é o mais recente navio a integrar a frota da companhia espanhola Pullmantur. Totalmente reformulado em abril, o antigo Monarch of the Seas da Royal Caribbean agora cumpre roteiro fixo pelo sul do Caribe, o ano inteiro, com duração de oito dias (dois deles são de navegação). Pode-se embarcar em qualquer um dos portos do trajeto, que deve ser o mesmo do desembarque: Cartagena das Índias, na Colômbia, Colón, no Panamá, La Guaira, na Venezuela, Aruba ou Curaçao. Grandão, mas sem intimidar, o navio tem capacidade para 2.752 passageiros em 1.193 cabines. Essas se dividem em 15 categorias, de interna a suíte royal. A minha, com capacidade para quatro pessoas, era até que bem confortável para o tamanho modesto (11 m²), apesar de não ter varanda – mas a janelinha ajuda a dar um “respiro”.

O perfil dos passageiros é, basicamente, de famílias com crianças, e a estrutura do navio contempla todas as idades. Há duas piscinas (disputadas em dia de navegação, mas nada que demande pedir licença para mergulhar), equipe de recreação e dois kids clubs (um até 3 anos e outro de 3 a 6). Os adolescentes também têm sua própria sala, com videogames, televisores e mesas de jogos. Além disso, há banheiras de hidromassagem, spa, salão de beleza, academia, cassino, parede de escalada e pista de jogging. Toda noite, um jornal com a programação do dia seguinte é entregue nas cabines – aulas (de pilates, dança, mergulho, maquiagem), oficinas, torneios e bingos engrossam o leque de opções. Em períodos de navegação, as lojas duty free do navio ficam abertas. São mais ou menos dez, que vendem de bijuterias a bebidas, de perfumes a eletrônicos. Cada dia há descontos especiais em uma delas, como óculos de sol a US$ 10 e produtos L’Occitane a US$ 8.

Para brasileiros, mais uma facilidade: a língua oficial a bordo é o espanhol, então, de uma forma ou de outra, sempre dá para se virar. Além disso, 30% dos 831 tripulantes são do Brasil, e boa parte dos outros também fala português. É verdade que ainda não somos presença muito expressiva no Monarch – havia pouco mais de 60 na semana em que viajei (ante mais de 400 venezuelanos, por exemplo). Mas a cultura verde-amarela é tão celebrada a bordo que um dos shows da programação é inteiro dedicado à nossa música. No bufê do almoço e do jantar, tem até a dupla arroz-e-feijão, que é para ninguém ficar com saudade da comida de casa.

À noite, além do bufê, é possível jantar, com horários e mesas definidos, nos restaurantes à la carte. A equipe de cozinha é comandada pelo chef indiano Pai Karkala, que trabalha com receitas internacionais. A proposta é boa, o menu é variado (com entrada, prato principal e sobremesa) e o resultado não decepciona. A agenda noturna inclui também espetáculos no Broadshow Showroom, apresentados pelo mestre de cerimônias catalão Joan Gimeno – tem stand up comedy, malabares, musicais em homenagem ao rock, à Madonna, ao grupo ABBA. Depois, quem quiser pode esticar na pista de dança da discoteca, que fica aberta até as 4h. Ou então, opção mais light, curtir um dos nove bares do navio, como o wine bar 360 º, que merece destaque principalmente pela vista panorâmica.

Exclusivo para hóspedes das suítes, o novo The Waves é um lounge VIP com bar, estação de petiscos, acesso a internet wi-fi e solário com espreguiçadeiras. Vira-e-mexe o capitão venezuelano Dimas Manrique aparecia por ali para tomar o café da manhã. Como autoridade máxima do navio, ele é praticamente uma celebridade – e, como tal, tirar uma foto com ele na noite de gala é missão concorrida. Só para ter uma ideia: enquanto jantávamos com o comandante, uma passageira que desembarcaria no dia seguinte veio se despedir com os olhos marejados, como se dissesse adeus a um ente querido. Ou, vai ver, ela estava triste mesmo por ter que deixar o Caribe… Então vamos a ele!

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